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Luto migratório: o preço emocional de recomeçar em outro país

Foto do escritor: Nathalia Barbosa
Nathalia Barbosa
25 de ago.
2 min de leitura

Trocar de país não é só trocar de endereço. É perder, de uma vez, sua rede de apoio, sua língua do dia a dia, os cheiros, os sons e as pequenas rotinas que davam sentido ao cotidiano. Existe até um nome para isso na psicologia: luto migratório, o processo de elaborar as perdas, mesmo quando a mudança foi escolhida e desejada.



O que os dados mostram

Os números confirmam o que muita gente sente e não sabe nomear. Expatriados apresentam taxas significativamente maiores de problemas de saúde mental em comparação a quem nunca migrou, incluindo depressão (31% contra 10%), ansiedade (25% contra 11%) e distúrbios do sono (36% contra 24%). Mais da metade dos brasileiros no exterior apresenta risco moderado a alto para quadros como ansiedade e depressão, um número bem acima do observado em quem permanece no país de origem.

Pesquisas também apontam altos níveis de estresse e sintomas de ansiedade especialmente nos primeiros anos após a mudança, período em que idioma, cultura e burocracia ainda pesam mais no dia a dia.


Por que isso acontece

Choque cultural, isolamento social, pressão para se adaptar profissionalmente e a distância da rede de apoio familiar aparecem entre os principais fatores. A saudade, muitas vezes tratada como algo simples ou passageiro, pode se transformar em isolamento e tristeza persistente quando não é acolhida.


E tem um ponto silencioso nisso tudo: muita gente evita falar sobre o que sente por não querer preocupar quem ficou no Brasil, ou por achar que "escolheu essa vida" e por isso não teria direito de reclamar. Só que sentir dificuldade não invalida a escolha. As duas coisas podem existir ao mesmo tempo.


Você não precisa carregar isso sozinho

Se você é brasileiro e vive fora do país, talvez reconheça um pouco dessa história na sua própria rotina. Fazer terapia com alguém que entende o idioma e o contexto cultural brasileiro pode ser um diferencial importante nesse processo, ajudando a nomear o que muitas vezes fica só na sensação de "algo não está bem".

Se esse texto ressoou com você, ou com alguém que você conhece morando fora, compartilhar pode ser uma forma de abrir essa conversa.


Referências

Borderless Mental. Psicologia para Brasileiros no Exterior. Disponível em: borderlessmental.com/psicologia-para-brasileiros-no-exterior

Conecta Health. Saúde mental na imigração: quando o desafio de recomeçar vira sofrimento silencioso. Disponível em: conecta.health/post/saude-mental-na-imigracao

International Journal of Environmental Research and Public Health (2020)

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