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Síndrome do impostor: por que até quem é competente duvida de si

Foto do escritor: Nathalia Barbosa
Nathalia Barbosa
8 de out.
2 min de leitura

A síndrome do impostor foi descrita pela primeira vez em 1978 pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, que notaram um padrão curioso em mulheres de alta performance: mesmo acumulando diplomas, prêmios e reconhecimento, muitas delas continuavam convencidas de que, a qualquer momento, alguém descobriria que na verdade elas não eram tão competentes assim, que tinham chegado ali por sorte, por estarem no lugar certo na hora certa, ou porque enganaram todo mundo ao seu redor. Hoje sabemos que esse padrão não é exclusivo de mulheres nem de ambientes acadêmicos, ele aparece em médicos, artistas, estudantes, empreendedores, mães de primeira viagem, qualquer pessoa que ocupe um papel onde sinta que precisa "dar conta" de alguma expectativa.


O curioso é que a síndrome do impostor não tem relação direta com competência real. Pelo contrário, ela costuma aparecer justamente em quem é bastante capaz, porque quanto mais alto alguém sobe, mais visível fica, e mais fácil é comparar o próprio desempenho com um padrão imaginário de perfeição. Existe até um nome pra esse mecanismo, o viés de autoatribuição: a pessoa atribui seus sucessos a fatores externos (sorte, timing, ajuda de outros) e seus fracassos a fatores internos (incompetência, falta de inteligência). Então mesmo um resultado bom não convence, ele só adia a sensação de que a verdade vai aparecer.


Um exemplo que ilustra bem isso está no filme Gênio Indomável (Good Will Hunting), com o personagem de Matt Damon. Will é um matemático brilhante, capaz de resolver problemas que nem professores de Harvard conseguem, mas ele sabota oportunidades, recusa empregos de prestígio e trata sua própria genialidade como se fosse acidental, algo que não faz parte de quem ele realmente é. O personagem do terapeuta, interpretado por Robin Williams, passa boa parte do filme tentando mostrar pra ele que seu valor não é uma fraude esperando ser descoberta, é real, mesmo que ele não consiga enxergar isso sozinho.


Esse é um ponto importante: a síndrome do impostor raramente se resolve sozinha com mais uma conquista, mais um diploma, mais uma prova de competência. Ela se alimenta de comparação e de um padrão interno quase impossível de alcançar, então o problema não está na falta de evidências de capacidade, está em como a pessoa processa essas evidências. Por isso, reconhecer esse padrão de pensamento, entender de onde ele vem e aprender a questionar essa narrativa interna costuma ajudar muito mais do que simplesmente "tentar se sentir mais confiante".


Se você se reconhece nisso, vale lembrar que o fato de duvidar da própria competência não é prova de incompetência, é só um padrão de pensamento, e padrões de pensamento podem ser trabalhados.

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